20 outubro 2017

MUDAM-SE OS TEMPOS;MUDAM-SE AS VONTADES





“Mudam-se os tempos; mudam-se as vontades”

   Depois de um período de tempo cheio de acontecimentos sociais e políticos a nível local, regional, nacional e internacional que nos obrigam a uma reflexão profunda, é nosso dever não ficarmos indiferentes a tudo o que se tem passado. Quero, como qualquer outro cidadão que pensa, partilhar o meu ponto de vista em relação ao passado, ao presente e ao futuro mais particularmente a nível local. Tive a sorte de ter nascido em Malcata, terra da Beira interior, que por ser o meu torrão natal muito amo e tenho defendido. Embora considerando-me cidadão do mundo, pois ao longo dos meus setenta anos de vida já muito mundo percorri, guardo uma afeição especial pela nossa terra, pela nossa região, pelo nosso concelho Sabugal. Com os dons que Deus me deu, tenho-me entregado voluntariamente em ações e serviços que levam ao desenvolvimento e engrandecimento do nosso território, e por isso estou à vontade para tirar as minhas conclusões. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Hoje estou, por opção própria, envolvido noutros projetos, noutros mundos. A minha ausência física é um imperativo que me leva a deixar de fazer parte de estruturas ou instituições locais. Mas juro que nunca deixarei de me preocupar com a vida e o desenvolvimento local, particularmente de Malcata.
   Com respeito por todos os poderes instalados, através de eleições democráticas que ao longo destes anos decorreram, tenho a afirmar que as associações e instituições existentes em Malcata (ASSM, ACDM, ACPM, AMCF, F. da IGREJA e outras) com relevo para a Associação Cultural e Desportiva, têm sido determinantes na defesa e promoção dos nossos valores, do nosso património. As pessoas passam, as instituições permanecem, pelo menos enquanto houver servidores (voluntários). Pouco interessam as quezílias, os maus entendidos, as fricções que haja ou tenha havido. É mais o que nos une que aquilo que nos separa. Porquê ostracizar esta ou aquela? Não tem cada associação os seus objetivos definidos pelos seus estatutos? É mesquinho deixar-se dominar por rancores ou ódios, vinganças (eu sei que as há), mexericos ou conversas de café. Sou daqueles que se recusam a olhar só para o chão, não vendo o que está para trás nem o que está em frente. Precisamos de uma visão global de passado, de presente e de futuro. Porquê não aceitamos as mais valias de cada uma? Porque não colaboramos todos em pé de igualdade, com respeito e consideração mútua? 
    Enterremos os machados de guerra e sejamos soldados da paz!
   De minha parte farei o possível para procurar entendimentos. Dentro de pouco terei de deixar todos os cargos que ainda exerço ( vice-presidente da direção da ACDM, presidente da Assembleia Geral da AMCF), pois aproxima-se o dia do regresso a Timor onde estou envolvido no projeto de solidariedade de construção e funcionamento de uma escola nas montanhas de Liquiçá. O meu futuro está em Timor Lorosa’e.
   Ainda que longe, terei um enorme orgulho de constatar que Malcata vai continuar a afirmar-se pelos seus valores, pelas suas gentes, pelos seus projetos, aproveitando os saberes de todos, concretizando projetos que lhe darão vida e dinamismo no presente e no futuro. A resignação e o conformismo são atitudes passivas que levam à extinção. E nem quero pensar que a nossa terra, à semelhança de outras tantas no interior do país está condenada ao desaparecimento por falta de compromisso e de ação dos poderes e dos seus cidadãos que, não sabendo defender o presente e preparar o futuro, pouco ou nada fizeram pela sua continuidade e evolução.
   Pelo bem de todos, da nossa terra, SEMPRE!... Como diz o ditado
 “ A VIDA E A LUTA CONTINUA! ”


                                                                                        Rui Chamusco

10 outubro 2017

                 


QUAL É A IMPORTÂNCIA DO VOTO?
   O voto em democracia é que manda, é soberano. Os malcatenhos que votaram no passado domingo, 1 de Outubro, deram mais votos ao PSD do que aos outros partidos. E não há dúvidas que a maioria dos eleitores que votaram em Malcata quer que a junta de freguesia continue a ser dirigida pelos apoiantes de João Vítor, Palmira Corceiro e Carlos Vaz. Parabéns aos que venceram e parabéns aos que tiveram menos votos. Ninguém se sinta derrotado ou excluído da nossa comunidade. Os corajosos foram a jogo e agora que se sabe o resultado, cabeça erguida, continuar a vida e todos a trabalhar para todos. Uns de uma forma e outros de outra .Mas isso não quer dizer que eu mude de opinião, porque continuo a afirmar que Malcata perdeu uma oportunidade para mudar de rumo e de paradigma.
   Com os resultados verificados nas últimas eleições, está claro que os malcatenhos que votaram querem continuar a fazer o que têm feito até agora
e ao longo destes últimos anos. Todos sabem que sou crítico quanto ao trabalho executado pelo poder local, não foi só com a que agora vai sessar funções, mas por causa das redes sociais foi a mais visível. Vou continuar a falar aquilo que eu achar mau e com a discussão aumentar a intervenção cívica do nosso povo na vida pública.
   A nova equipa da Junta de Freguesia tem quatro anos para cumprir as promessas feitas, para trabalhar pelo bem da freguesia e servir os malcatenhos.
   Sou cidadão de Malcata, não estou amarrado a nenhuma ideologia ou partido político, como cidadão continuarei a dar a minha opinião, mesmo não vivendo na aldeia. Tenho consciência que muitos malcatenhos não vivem em Malcata, mas em França, Coimbra, Lisboa, Porto, Guarda…Argentina, Brasil…
mas nasceram em Malcata e lá longe continuam ligados aquela aldeia da beira ali aos pés da serra.
   Continuo a acreditar que a mudança é possível e necessária. E essa mudança para acontecer, temos que todos ter de fazer diferente o que temos feito sempre da mesma maneira. Há que encontrar coragem e vontade em mudar para melhor. Dizer que queremos fazer melhor, é insuficiente! É um começo de um desejo, mas há que correr riscos e não ter medo de errar.
   Espero da nova Junta de Freguesia um trabalho orientado para o sucesso,
com dedicação e serviço em favor das pessoas, dedicação, seriedade, transparência e verdade nas suas acções.
   Termino com a citação de uma frase muitas vezes dita pelo nosso conterrâneo José Rei: “Vamos devagar que temos pressa”!
                                               José Nunes Martins



   

04 outubro 2017

OS DETALHES QUE FIZERAM A DIFERENÇA

OS DETALHES QUE FIZERAM A DIFERENÇA


Estas eleições, no que respeita a uma freguesia, merece ser registada na história política do nosso concelho e dessa aldeia.
Uma candidatura apresenta no Auditório Municipal o seu líder, o seu candidato a presidente. Em campanha, distribuíram um folheto com fotos e programa. Desconheço se o líder ajudou ou não na sua entrega aos eleitores. Com os eleitores com que tive oportunidade de conversar, diziam-me que não conheciam o candidato, não os visitou durante a campanha eleitoral e mesmo no dia de eleições, só depois de votar é que o viram sentado na assembleia de voto e quando me encontraram disseram "olha, já sei quem é, estava sentado lá na sala"!
Enquanto o líder se resguardava, o actual presidente, que por limitação de mandatos concluídos, está impedido de candidatar-se a outro, trabalhou no duro, deu o corpo e tudo o mais que tinha acessível para garantir a vitória ao cabeça de lista. E conseguiu a eleição do seu líder que mais parecia não querer  vencer!
O que aconteceu nesta freguesia é caso de estudo, pois os eleitores votaram no ex-presidente e não no novo candidato a ocupar-lhe o lugar.
É verdade que foi o povo que votou e não quis mudar as coisas. Ficou provado que para ser eleito presidente, basta que os membros da candidatura, familiares e amigos se unam e com mais uns truques de magia,  o jogo está ganho. Com uma abstenção de 45,52%, dos 435 inscritos só votaram 237. Onde andam os outros 198 ? Na sua maior parte não ficaram em casa, porque talvez nem existam! Dos 237 que votaram, 65,82%, ou seja, 156 eleitores escolheram o candidato apresentado pelo PSD. Os números não deixam dúvidas a ninguém. Surpreendeu-me a ausência de participação activa do líder e a estratégia preparada pelo ex-presidente da autarquia para alcançar a vitória. Vou aguardar pelo desempenho do agora presidente da minha freguesia e cá estarei para registar os factos e os números para memória futura. Termino com um pensamento do grande político
que foi Francisco Sá Carneiro, fundador do PPD - (PSD):
"A política sem risco é uma chatice,
mas sem ética é uma vergonha".

                                                                                                   José Nunes Martins

02 outubro 2017

OS JUSTOS VENCEDORES



   "SE VIRES UM HOMEM COM FOME À BEIRA DO RIO
    NÃO LHE DÊS UM PEIXE, ENSINA-O A PESCAR"

 

      Peço aos leitores que façam uma leitura do artigo escrito pelo professor José Ramos Pires Manso, da Universidade da Beira Interior, Economista e responsável do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social, que o Jornal Cinco Quinas publicou recentemente.
   
             

29 Setembro, 2017

  A execução de uma estratégia nacional para o turismo militar e o alargamento a todo o país do programa de ciclismo e passeios a pé no Algarve são medidas da Estratégia para o Turismo 2027. Esta resolução foi hoje (quarta-feira dia 27/9) publicada em DR. Apreciando com cuidado o diploma alguma coisa se pode depreender no que diz respeito ao seu alargamento ao interior do país, como a inclusão de rotas como a das aldeias históricas, das aldeias de xisto, das aldeias de montanha, das terras com castelo, das terras da raia, cidades com história, judiarias, …
Esta resolução do Conselho de Ministros, hoje (quarta-feira dia 27/9) publicada em Diário da República (DR), foi aprovada na reunião do CM da passada quinta-feira. Entra em vigor na próxima quinta-feira. Segundo o Governo, a estratégia hoje publicada pretende proporcionar um quadro de referência estratégico para o turismo nacional, num horizonte de 10 anos. Pretende ainda, assegurar a estabilidade e assumir compromissos quanto às opções estratégicas para o turismo nacional, promover a integração das políticas setoriais, gerar uma contínua articulação entre os vários agentes e agir com sentido estratégico no presente e no curto/médio prazo.
Uma das metas da Estratégia do Turismo 2027 é conseguir 80 milhões de dormidas, o que se traduz num aumento de 31 milhões dormidas entre este ano e 2027, com uma taxa de variação média anual de 4,2%. No que diz respeito a receitas turísticas, é a intenção é crescer 14 mil milhões de euros até 2027. O Governo pretende ainda aumentar as qualificações dos trabalhadores na atividade turística, através da duplicação de 30% para 60% do nível de habilitações do ensino secundário e pós-secundário no turismo. Pretende ainda ter turismo durante todo o ano e reduzir o índice de sazonalidade de 37,5% para 33,5%. Para o conseguir está previsto alargar a todo o país o projeto piloto ‘Cycling and Walking’ da região do Algarve, além de investir nos Caminhos de Fátima, Caminhos de Santiago e na rede de Turismo Militar. Para além dos bons resultados, o Governo garante que o turismo tem que se afirmar cada vez mais como uma atividade sustentável ao longo do ano e ao longo do território, que valorize os recursos naturais de que Portugal dispõe e que contribua para a criação de emprego e de riqueza e para a promoção da coesão territorial e social.
A resolução aprovada pelo Governo definiu como mercados estratégicos a Espanha, Alemanha, Reino Unido, França, Brasil, Holanda, Irlanda e Escandinávia. Na lista de “mercados de aposta” da estratégia contam os Estados Unidos da América, China e Índia, enquanto são classificados como “mercados de crescimento” a Itália, Bélgica, Suíça, Áustria, Polónia, Rússia, Canadá. Por último, o Governo define ainda sete “mercados de atuação seletiva”: Japão, Austrália, Singapura, Coreia do Sul, Índia, Israel e países da Península Arábica.
Da estratégia nacional às estratégias regionais e locais do Interior
Com especial interesse para o interior a Resolução do Conselho de Ministros, elenca algumas medidas como (i) a revitalização e dinamização económica de aldeias e centros rurais com vocação turística está também prevista na estratégia, que aposta nas redes temáticas e nos recursos endógenos dos territórios, como as Aldeias de Xisto, as Aldeias Históricas e as Aldeias Vinhateiras, (ii) a realização de ações de valorização turística e de promoção dos lagos e águas interiores, rios, albufeiras, nascentes e águas/estâncias termais ficam prometidas e (iii) a disponibilização de rede wi-fi (sem fios) gratuita nos centros históricos, por forma a melhorar a experiência de usufruto do património nacional.
Do que se disse se depreende que a estratégia nacional dirigida às regiões do interior passa, entre outras, pelas seguintes ações:
– Alargar o projeto piloto ‘Cycling and Walking’/Ciclismo e Passeio da região do Algarve a todas as regiões do interior do país, designadamente às planícies, planaltos e montanhas, regiões protegidas como parques e reservas naturais, margens dos rios e vales, rotas diversas (para observação de paisagens e aves, por exemplo) em veículos de duas rodas e por aí fora.
– Investir nos Caminhos de Fátima, nos Caminhos de Santiago e na rede de turismo militar. Com um bocadinho de imaginação local, pode juntar-se a essa lista os caminhos das romarias tradicionais do interior como a Sr.ª da Ajuda na Malhada Sorda (Almeida), a Sr.ª da Póvoa (Penamacor), a Sr.ª do Almurtão (Idanha a Nova), a Sr.ª dos Prazeres Soito e em diversos locais desta região, a Sr.ª das Dores do Paul, A Sr.ª dos Remédios de Lamego, a Sr.ª do Castelo de Mangualde e tantas outras que por aí há.
– A revitalização e dinamização económica de aldeias (aldeias históricas, aldeias do xisto, dos rios Zêzere e Coja, aldeias de montanha, aldeias com castelo, aldeias, vilas e cidades com judiarias,…) e centros rurais com vocação turística está também prevista na estratégia, que aposta nas redes temáticas (como a rotas dos judeus, rota dos castelos de Riba-Côa e outros, a rota das aldeias de fronteira, festivais de gastronomia, rotas da caça e pesca, …) e nos recursos endógenos dos territórios, como as Aldeias de Xisto, as Aldeias Históricas e as Aldeias Vinhateiras, a que acrescentamos as Aldeias de Montanha da Serra da Estrela, as Aldeias dos Parques e Reservas Naturais como as da Serra da Estrela, da Serra das Mesas/Malcata (do lince), da Serra da Marofa e da Gardunha, do Caramulo e por aí fora….
– Estão ainda previstas ações de valorização turística e de promoção dos lagos e águas interiores, rios (como o Tejo, Douro, Guadiana, Côa com as suas gravuras rupestres, Sado, Mondego, Zêzere rios do alto Minho,…), albufeiras (como as do Alqueva, da Serra de Estrela, das Barragens do Castelo de Bode e de St.ª Luzia, Fratel, do Sabugal no Rio Côa,…), nascentes e águas/estâncias termais (como as do Cró (Sabugal), Unhais da Serra (Covilhã), … (Almeida), Longroiva… (Figueira de Castelo Rodrigo), Fonte Santa (Manteigas), de Alcafache (Viseu), Vidago (Chaves) e tantas outras pelo país fora.
Disponibilização de rede wi-fi gratuita nos centros históricos das cidades, vilas e aldeias, por forma a melhorar a experiência de usufruto do património local. Encontram-se neste caso todas as cidades, vilas e até algumas aldeias com centros históricos como Guarda, Viseu, Coimbra, Covilhã, Castelo Branco, Leiria, Aveiro e muitas outras…
José Ramos Pires Manso
Prof Catedrático, UBI, Economista e responsável do
Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social





   O artigo dá a conhecer a  estratégia para o TURISMO nacional num horizonte a 10 anos. Trata-se de uma decisão do Governo e dada a sua importância para as aldeias do interior, as Aldeias com albufeiras, reservas naturais,
uma estratégia que uma associação em Malcata já vinha a defender desde 2016, que depois de apresentada a ambas as candidaturas, apenas tive interesse e acolhimento por uma e conscientes da importância que tem para o futuro da aldeia de Malcata, incluíram-na no programa de candidatura das eleições autárquicas de 1 de outubro de 2017, destacando com uma frase: "PROMOVER O TURISMO SUSTENTÁVEL E A AUTOSSUSTENTABILIDADE DA ALDEIA ( Malcata )"!
   Hoje, 2 de outubro, sabemos que o povo não aprovou esta e outras propostas que foram amplamente apresentadas e deixando a decisão  de escolha nas mãos de cada pessoa eleitora.
As pessoas optaram por dar mais atenção à voz do candidato que não podia ser candidato e ficaram saciadas, pelo menos temporariamente, com o pão oferecido, pois quando voltar a apertar a fome, terão que ir ao encontro da família real, aí haverá manjedoura farta.
   Esta é a minha opinião, livre de tudo e sem rodeios.
   Sonho com uma aldeia diferente, os que  me conhecem sabem que tenho uma obsessão: sou obcecado pela terra onde nasci, onde cresci e pelo bem de todos, não quero poder, não quero dinheiro nem sou vendedor de banha da cobra. Sou um malcatenho que se sente triste, profundamente triste por mais uma vez,
verificar que não posso obrigar uma pessoa a aprender a autossustentar-se e um povo que se vende por tão pouco, que diz sim a uma proposta e na hora da verdade risca não. Onde mora a honestidade intelectual? Fico-me por aqui a pensar na minha infância e nos meus sonhos.
   Parabéns aos justos vencedores, aqueles que respeitam liberdade, a honestidade, a seriedade e caminham de cabeça erguida; parabéns aqueles que apesar da derrota de número de votos, ganharam a medalha mais ambicionada por qualquer atleta.
                                                   
                                                      José Nunes Martins

                                                               
   
                                  EIS OS VENCEDORES JUSTOS:





26 setembro 2017

JUNTOS E UNIDOS SOMOS MAIS FORTES





 Um dos assuntos mais badalados no nosso país tem sido o turismo. Turistas nas praias do Algarve ou a visitar as principais cidades portuguesas já não é notícia. No caso da cidade de Lisboa e do Porto, já há quem reclame da presença de tantos turistas.
  Está comprovado que o turismo ajuda a desenvolver um país, uma região desse país, com fortes impactos na economia que se movimenta por causa dos turistas.
  Interessa-me olhar para a região do Sabugal e em especial para Malcata.
  Qual pode ser o grande desafio para Malcata? O grande desafio está cada vez mais próximo e o mês de Outubro pode mesmo ser o início da grande maratona dos malcatenhos. Não, não me estou a referir ao desafio do próximo dia 1 de Outubro, que também é um grande desafio e importante. Sendo assim, das duas, uma: aproveitamos as oportunidades e abraçamos todos juntos o desafio, o potencial oferecido pela serra e pela albufeira da barragem, ou podemos transformar o agradável sonho e o milagre do desenvolvimento económico pensado para a nossa aldeia de Malcata, num pesadelo que pode causar a delapidação dos dois diamantes que Malcata agora tem nas mãos. Temos que usar a inteligência a nosso favor e saber aprender a arte de lapidar a serra e a albufeira, esses dois diamantes quase em bruto e cujo valor às vezes nos esquecemos existirem. Se os malcatenhos ignorarem a necessidade de trabalhar bem a “mina de ouro” e tirar rendimentos dos seus diamantes, não servirá para nada a sua existência e como não a podemos mudar de lugar, perderemos e desperdiçaremos esse património valioso mas inútil, deitando por terra todo o trabalho e sacrifícios
dos nossos antepassados e dos que hoje trabalham nesse objectivo.
 
   O desafio está aí à nossa frente. Olho para a serra e para a albufeira e
vejo um futuro promissor. Um primeiro passo já foi dado, agora não podemos
parar de caminhar. É tempo de pensar seriamente neste desafio que aqui vos trago. Juntos e unidos vamos ser capazes de muda r o estado da situação,
combustível e veículo já temos, condutores também, precisamos de encontrar
o caminho para lá chegarmos, em maior número possível e juntos. Para isto dar certo é necessário acreditar e acabar com a ideia de que os intrusos, os
agitadores solitários ou associados desejam o mal e a destruição das pessoas e do seu território. Os malcatenhos estão na altura de passar a olhar para essas pessoas e instituições como agentes de mudança, de motores de arranque do veículo que levará a nossa aldeia a alcançar o tão desejado bem-estar económico e social. E o turismo pode muito bem revitalizar e ajudar a qualificar alguns espaços na nossa terra, pode ajudar a criar postos de trabalho e estancar a debandada das pessoas que vão, com o seu trabalho,  desenvolver outros países e outras aldeias ou cidades, deixando a sua aldeia a definhar e a morrer lentamente, apesar de  possuírem preparação técnica e científica, engenho e arte, mas que em Malcata não colocam ao serviço de todos mesmo apesar de noutros lugares o terem feito ou estarem hoje a fazer. Por onde andam? Precisamos de todos.
  Juntos e unidos somos mais fortes.
                                                   José Nunes Martins, sonhador

24 setembro 2017

RELEMBRAR A ENTREVISTA DO PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DE MALCATA DADA EM 2013 AO JORNAL CINCO QUINAS

   
  A pouco mais de uma semana das eleições autárquicas 2017 para a Assembleia de Freguesia de Malcata, tomo a liberdade de recuperar uma entrevista de 2013 que o senhor presidente da Junta de Freguesia de Malcata, Vítor Fernandes, concedeu ao Jornal Cinco Quinas a poucos meses das eleições autárquicas de 2013, às quais concorreu pela terceira e última vez.
    A entrevista original mantém-se inalterada, tendo acrescentado os meus comentários escritos a azul, revisitando e actualizando a resposta de 2013 com a realidade em 2017
(na 
minha opinião, claro está ).

 Há quase oito anos à frente da Junta de Freguesia de Malcata, Vítor Manuel Fernandes, com 57 anos de idade, realça nesta entrevista as principais obras realizadas na freguesia durante estes dois mandatos, da grande prioridade até Setembro de 2013, e muito mais.

Cinco Quinas (CQ) – Quais foram as obras mais significativas realizadas na freguesia durante estes anos que está à frente da Junta de Freguesia?
 Vítor Fernandes (VF) –  Nestes anos foram várias as obras realizadas nesta freguesia, das quais destacamos: A conclusão das obras do forno comunitário; Recuperámos o Rossio e a rua da Moita; Concluímos todo o calcetamento das ruas de Malcata até às casas que estão habitadas, (a sério que concluíram todo o calcetamento? De 2013 para cá, apareceram mais calçadas, ou vi mal?) no terceiro ano de mandato conseguimos que a Câmara nos recuperasse a estrada Municipal; Construímos, com o apoio da Associação Cultural, o Salão da Freguesia e Sede da Associação (O Salão da Freguesia está concluído? A começar pela qualidade das cadeiras, além de cada qual de seu modelo e feitio, algumas não oferecem conforto nem segurança; ao palco falta-lhe iluminação, cortinas pelo menos); Colocámos iluminação na rua do Cemitério, circular de Malcata e campo de futebol (depois de um desatino com os proprietários do terreno, onde alguém decidiu espetar os postes de cimento e se esqueceu de falar com os seus donos, lá estão do lado contrário); Reabilitamos o cemitério junto à Igreja Matriz como jardim e recuperámos também o atual, criamos o jardim junto à ponte (entrada de Malcata), (valha-nos este belo jardim, é um espectacular sítio para descansar, passar ali uns bons momentos a olhar a água, a serra e as eólicas, gosto deste jardim); Recuperámos a tradição das ladainhas com a construção do Calvário; Recuperámos a abertura de duas ruas, uma que liga a rua do cabeço à rua do Carvalhão e a outra que liga a rua do Carvalhão à rua da Fonte ( lá abrir abriram e voltaram a abrir porque a curva ameaçava a propriedade privada ali existente, mas não ficou calcetada, só o foi neste final de mandato; e a rua do Carvalhão até à rua da Fonte, mais uma vez por falta de capacidade de diálogo, manteve a mesma curva e largura de bêco, salientando a cedência de uns metros de terra pela família da Ti Dulce e Ti Coelho, que nos leva ao assunto do Bêco da Corela se passar a chamar Rua Dr. Artur Coelho, filho ilustre de Malcata e deste casal Coelho, muito respeitado em toda a aldeia. Deste episódio da mudança de nome de bêco da Corela para Rua Dr. Artur Coelho, faz parte de um processo longo, iniciado com um pedido da Junta de Freguesia em 17-04-2010, dirigido ao Presidente do Município do Sabugal, em que “por sugestão de um membro da Assembleia de Freguesia, a Junta de Freguesia solicitava a alteração ao nome de duas ruas de Malcata.
 Este pedido não foi atendido e deve ter sido considerado morto, caindo no esquecimento. Aqui o “investigador” José Martins, quando presenciou as obras do Bêco da Corela, após consulta das cartas do Plano Director Municipal do Concelho do Sabugal, reparou que nas cartas relativas à Freguesia de Malcata estava à vista de todos um novo arruamento, a que a Comissão de Toponímia do Município do Sabugal, publicou como Rua Dr. Artur Coelho. Perante o meu espanto, fui investigar mais sobre o assunto e até enviei pedido de informação à Câmara Municipal. A resposta veio enviada pelo Engenheiro Telmo, da Comissão Municipal de Toponímia que me informou que por engano dos serviços da Câmara apareceu no PDM a nova designação para o Bêco da Corela, pois nenhuma das alterações pedidas tinha sido aprovado e agradecendo a chamada de atenção, prometeu corrigir o erro, tendo sido entretanto corrigido. Montámos as piscinas flutuantes (boa ideia a da piscina flutuante, não piscinas, pois é só uma piscina! Que diga-se, tem andado ali para um lado e para outro, consoante o nível da água da albufeira); Construímos a estação de serviço para as autocaravanas; (Sim, a ASA-Estação Apoio Serviço Autocaravanas em Malcata já é conhecida por muitos amantes do caravanismo e campismo. O lugar é excelente, com boas vistas e o mínimo de condições de instalações de apoio ao turista. Nas trocas de impressões entre eles é referido a existência dos WC’S mas lamentam estarem fechados). Estamos a reabilitar o parque de S. Domingos; (Não sei a que reabilitação se referia em Julho de 2013 e que em 2017 se apresente assim tão diferente! Ou a calcetamento da Rua da Capela em toda a sua extensão conta para essa reabilitação? Não se esqueçam de retirar de lá o que resta do antigo coreto, porque a pedra principal já desapareceu e não havendo coreto, não há altar) Construímos os passeios até à Senhora dos Caminhos; Comprámos o antigo posto da Guarda Fiscal e reconstruímo-lo(apoiado, sim requalificou-se e valorizou-se).Estamos a instalar a sala de memória coletiva localizada numa sala da escola primária; (Desde Julho de 2013 que andam a instalar a sala de memória colectiva. As memórias são património e deve ser preservado, respeitado e tratado com dignidade. Após 4 anos quando essa sala abrir só tem que nos encher o peito de orgulho pois colocaram nela muito trabalho e cuidado); Cedemos à Associação de caça, através de protocolo, para sede, de uma sala na antiga escola primária, junto à sede da Freguesia (teve sorte essa associação, já não posso dizer o mesmo em relação a outras, em que lhes foi oferecido sede, com condições que não eram as necessárias nem nada que se pareça, pois a brancura exterior da casa não reflectia a idade e estado interior da mesma e ainda menos não poder ocupá-la com as ferramentas de trabalho que a associação lá ia querer colocar, para além de outras condicionantes que limitariam a actividade associativa); Recuperámos vários caminhos rurais, entre outras obras.
 CQ – Qual a grande prioridade para a freguesia até ao fim do mandato que termina em Setembro de 2013, altura em que se irão realizar as eleições autárquicas?
 VF –  Conclusão da recuperação do parque de São Domingos, do Quartel e a estrada de Malcata – Quadrazais, que nesta data está em plano e orçamento da Camara Municipal.
(Não entendi a resposta. Conclusão do Parque de São Domingos até Setembro de 2013?
Então ainda não está concluído e estamos às portas das eleições de 2017! OK, as obras do antigo Quartel já acabaram e a Estrada de Malcata para Quadrazais, para além de feita, este ano foi melhorada com mais 50 centímetros de calçada nas bermas da via, mas essa obra sabem quanto a Câmara Municipal pagou por ela? Muito dinheiro…e 
os cubos de granito colocados este ano nas bermas foi obra paga pela Tecneira, ao abrigo do protocolo assinado entre a Junta de Freguesia e a esta empresa e o mesmo apoio com as obras da calçada da Rua da Capela e recuperação da fonte de mergulho, que até aprecio as obras na fonte).
 
 CQ – Quais os principais problemas com que a freguesia se debate diariamente?
 VF –  Os problemas são os comuns a todas as freguesias do interior, a falta de oportunidades para a fixação de pessoas, (eu que não vivo na freguesia, conheço outros problemas com que os fregueses de Malcata se debatem quase diariamente, que é como quem diz, a mesma coisa. A falta de água nas torneiras em algumas casas, por exemplo, a falta de uma rede WIFI com rapidez aceitável, com igual acesso a todos os usuários e não existir utilizadores mais prioritários do que outros, porque se é wifi gratuita e livre, todos devem ter as mesmas condições de acesso independentemente da marca e do tipo de equipamentos informáticos que cada cidadão que vá a Malcata, ou resida num bêco ou numa rua da aldeia. Estes são para mim, alguns problemas diários dos malcatenhos…e o problema dos telemóveis...

 CQ – Qual a situação financeira da Junta de Freguesia?
 VF –  A situação da freguesia de Malcata a nível financeira é confortável.
           (Bom, muito bom mesmo e oxalá em 2017 assim continue).
 CQ – Qual a relação com a Câmara Municipal do Sabugal? Na sua opinião este executivo tem feito um bom trabalho pelo concelho do Sabugal?
 VF –  Relativamente a Malcata penso que tem havido abertura total para a resolução dos problemas que têm surgido. (Senhor presidente, vou discordar desta afirmação que fez em 2013, porque de então para cá, na minha opinião, sendo os dois presidentes da mesma força política, ambos se abstiveram de colocar primeiro os interesses da comunidade de Malcata e escolheram fazer obra sem consultar a comunidade. Lembro, por exemplo, o triste facto da instalação da antena de telemóveis. Tivesse havido uma troca de prioridades e importância e hoje todos os cidadãos estavam a beneficiar de uma melhor cobertura da rede móvel em Malcata!

 CQ – Concorda com a lei que limita o número de mandatos possíveis a um presidente de Junta?
 VF –  Concordo. (Concorda ainda hoje? Não é o que está a parecer!)
 CQ – Qual é a sua opinião sobre a reforma administrativa ao nível das Juntas de Freguesia?
 VF –  Penso que é uma reforma que não teve em conta os interesses das populações locais e que vai dificultar ainda mais a vida das nossas gentes, pelo que estou contra a reforma administrativa que o poder central estar a tentar levar a efeito.
(a este respeito eu penso que já estamos muito descuidados no cuidar dos interesses das populações locais, por exemplo, a lei eleitoral em vigor, beneficia mais os interesses dos membros do poder local que a população. Por exemplo, se nas eleições autárquicas só fosse para quem realmente reside em Malcata, o número de eleitores seria o mesmo número dos censos do INE e não haveria tanta diferença entre os inscritos para votar e os votantes. Lembro que nas eleições de 2013, dos 441 inscritos, votaram 230. Pergunta óbvia: onde andavam os outros 211 eleitores? Sabem, este número de inscritos quanto mais alto mais dinheiro é atribuído às candidaturas, mantêm a Assembleia de Freguesia, mesmo que funcione de forma deficiente, caso baixasse o número de inscritos, os malcatenhos estavam no domingo a eleger uma Assembleia de Cidadãos e não Assembleia de Freguesia, deixando de ter Presidente de Junta e passar a ter Presidente da Assembleia de Cidadãos. É quase a mesma coisa, mas não é bem bem a mesma coisa…Isto dá que pensar, ou não? É melhor manter as aparências ou acabar de vez com elas e viver a dura realidade do despovoamento de Malcata?
 CQ – Sabendo que a vida de autarca nem sempre é fácil e nem sempre compreendida, onde fica a família no meio de tudo isto?
 VF –  A família é sempre a parte mais prejudicada, porque a grande maioria das vezes colocamos os problemas da freguesia em primeiro lugar, relegando os familiares para segundo plano, mas estou convencido que temos o aval familiar para a vida de autarca que escolhemos.
(Agora que está a chegar ao fim dos mandatos, sinceramente, também acredito que a família foi o grande apoio para o senhor presidente. Sim, não é nada fácil conciliar a vida política e pública com a vida familiar, apresento os meus agradecimentos pelo trabalho feito ao longo deste 12 anos à frente da nossa freguesia. Sou das pessoas que separo as duas vidas: a política e a familiar. Nestes anos, e de uma forma mais visível, desde 2013, fui um crítico do papel político do senhor presidente. Custa mesmo muito separar a política e os protocolos institucionais, não é? Essa foi uma das atitudes e decisões políticas, o de institucionalmente não praticar o protocolo oficial que todo o representante público deve fazer, mesmo que as instituições sejam do desagrado das pessoas do poder local, todas merecem um tratamento institucional igual e imparcial. Quero deixar claro esta minha opinião, nunca quis questionar a vida particular e familiar do senhor presidente. Politicamente e nas decisões tomadas ou não tomadas enquanto presidente de junta de freguesia, tinha que ser crítico e sempre, mas sempre porque sou apaixonado pela aldeia onde nasci e as pessoas que conheci, que conheço e nela residem, merecem sentir-se bem, felizes, orgulhosas das suas tradições, dos seus valores e tanto eu luto para que aproveitem bem e até às entranhas da nossa terra todo o enorme potencial que gratuitamente a mãe natureza lhes oferece: floresta, água, sol, ar limpo e tranquilidade).
 CQ – Qual é o balanço que faz destes mandatos?
 VF –  Considero um mandato positivo, embora não me encontre totalmente satisfeito, porque é sempre possível fazer melhor. (É sempre possível fazer melhor, é verdade, o homem tem que melhorar todos os dias. Também é verdade que se fizermos sempre o mesmo, da mesma maneira, nada adianta viver muitos anos, porque só estamos a viver o mesmo ano muitos anos, ou seja, não mudar é o mesmo que não inovar, não desenvolver, não crescer)!
 CQ – Pensa recandidatar-se?
 VF –  Sim. Depois de um convite que me foi endereçado, pela equipa do PSD, e depois de serem aceites algumas exigências que impus, para benefício da freguesia de Malcata, decidi recandidatar-me.
(Tenho a confessar um segredo: só agora compreendi a resposta que o senhor presidente deu ao Cinco Quinas em 2013. Ao fim de quatro anos entendo o alcance desta resposta.
“depois de serem aceites algumas exigências que impus, para benefício da freguesia de Malcata”( o senhor presidente decidiu recandidatar-se a um terceiro e último mandato! Aqui está a resposta que justifica o aparecimento do cabeça de lista da Candidatura PSD à Assembleia de Freguesia de Malcata (filho para continuar a herança do pai) e a candidatura do senhor presidente a membro da Assembleia Municipal da Câmara do Sabugal. Nestes quatro anos alguém soube das exigências impostas e aceites? Posso até estar errado, mas tenho este pressentimento).

 CQ – Quer deixar alguma mensagem aos habitantes da freguesia?

VF –
 Quero dizer que qualquer pessoa de Malcata e qualquer entidade, podem continuar a contar connosco como até aqui.
(senhor presidente, no fim destes anos à frente dos destinos da freguesia de Malcata, tenho a agradecer o seu trabalho em defesa da nossa terra e das suas gentes. E quero deixar o alerta que continuarei a olhar para o trabalho da pessoa que presidirá durante os próximos 4 anos aos destinos da freguesia de Malcata, a nossa aldeia, a nossa terra.
Prepare-se para arrumar a sua secretária lá da Junta de Freguesia, pense na fatiota e no discurso de despedida e não se esqueça de não faltar à atribuição da Medalha de Mérito
que o seu Presidente António Robalo lhe vai oferecer dentro de pouco tempo perante a plateia do Auditório Municipal.

Apesar de tudo, foram 12 anos e isso vai ficar para sempre com a sua pessoa.
Viva Malcata!
                                               
José Nunes Martins

Nota: A entrevista original pode ser lida aqui: 
http://www.cincoquinas.net/?p=7998#

SOMOS LIVRES DE VOTAR?

 
  Há juntas de freguesia que não fazem as obras necessárias, mas sim as que são convenientes para angariar votos. Não consigo compreender este povo. O que tenho feito, embora muitos lhes pareça o contrário, é lutar por ele e para ele, o povo, as pessoas, a fim de fazermos de Malcata uma aldeia que seja admirada por toda a gente.

  Com as ferramentas que comprei e que me permitem trabalhar à distância, quero combater o analfabetismo político, a falta de informação, a falta de decoro e cumplicidades dos que, estando há anos a gerir os destinos de Malcata, vêm praticando e parece querer continuar.
  Há muitos malcatenhos que vivem entretidos como os meus cães quando lhes dou um osso e quando se apercebem já eu saí de casa, já é tarde demais para sair de casa.
   É tempo de deixar de continuar a viver entre as quatro paredes da loja, sem uma janela sequer.
   É tempo de pedir contas do que se gastou e do que há para gastar. Aos malcatenhos é-lhes devido essa prestação de contas. É certo que muitos se desleixam e não têm conhecimento nem lhes facultam informação e esquecem-se que têm direito a ser informados mesmo sem o solicitar. Muitos acham que basta uma conversa à mesa do café e está feito. Nem dão conta do que deixam de conhecer.
   A uma semana das eleições os fregueses nascidos em Malcata e que vivem fora da terra não têm informação nenhuma vinda dos candidatos. O silêncio nas redes sociais é assustador, a não ser que os eleitores que vivem noutras freguesias e que mantêm a sua residência oficial em Malcata, tenham mais sorte e lhes tenha sido enviado por outros meios, a propaganda eleitoral e o respectivo chouriço devidamente identificado com a fotografia da candidatura que o embalou, ofereceu e enviou ou inseriu na caixa do correio, como já aconteceu lá para Braga!
   Que estratégia de desenvolvimento defende cada candidato para a aldeia?
   Hoje, a uma semana das eleições só a lista da candidata Sandra Varandas
revelou interesse e vai apoiar um projecto importante a ser realizado na aldeia. Há quem diga, nas conversas de café, que uma das candidaturas preparou um esquema para os levar à vitória. Essa “habilidade” passará pela participação de pessoas que trabalham na França, ou por lá vivem a sua reforma a maior parte do ano, vindo algumas vezes a Malcata, facilitando-lhes o transporte desse país até à nossa aldeia. A segunda “habilidade” dizem que no domingo virão mais pessoas que moram em Portugal, trabalham ou gozam as suas reformas noutros lugares que não Malcata, terra onde nasceram e que esporadicamente lá vão porque lá herdaram ou construíram casa, terrenos e onde os laços familiares e de amizade ainda os motiva a lá ir de vez em quando.
  No que respeita à saudade, às ligações familiares e de amizade, ainda bem que assim é, mas quanto ao manter a sua residência oficial, ou seja, a que consta nos documentos de identificação, apenas para que nas eleições autárquicas deixem de votar na freguesia onde habitualmente residem,onde o desenrolar das acções do poder local os pode afectar nas suas vidas cedam  às influências e tácticas menos democráticas, embora a lei o permita cumprindo-a, discordo totalmente desta forma que determinadas listas de candidaturas encontraram para alcançarem a vitória no próximo acto eleitoral.
   Mesmo que a lei permita estas habilidades, que não são outra coisa, não
me parece a melhor estratégia política, pois todos os candidatos devem procurar ganhar, sendo isso o seu principal objectivo, mas que não justifica utilizar todos os meios para lá chegar.
   Pensem no assunto e como o voto é secreto, vou rezar para que os eleitores que no próximo domingo votam na minha aldeia, mandem às favas tudo
aquilo que lhes prometeram ou ofereceram e por uma vez na suas vidas,
usarão de total liberdade para votar nas pessoas que desejam e querem para
estar ao serviço do povo e de todos os malcatenhos. Até porque o voto é secreto e livre!
                                                José Nunes Martins